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permite que qualquer pessoa, física ou jurídica, encaminhe pedidos de
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segunda-feira, 11 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Impacto das Multinacionais no Estado
Impacto das Multinacionais no Estado
Introdução
As empresas multinacionais são atores de grande importância nas relações
internacionais contemporâneas. Isso se
deve ao seu poder econômico, tecnológico e conseqüentemente político. Sua força está no seu papel na
internacionalização da economia contemporânea por meio da produção e
comercialização de diversos bens e serviços em diferentes países de forma
dinâmica e integrada.
Inevitavelmente, a força das multinacionais gera forte impacto, e por
vezes ameaça, aos Estados, em especial os periféricos. O poder e capital de algumas empresas
multinacionais no contexto internacional é, por vezes, maior de muitos Estados
periféricos. Entretanto, em diversos
contextos a atuação das multinacionais é benéfica devido ao seu poder de gerar empregos,
produzir e difundir tecnologia, movimentar a economia com dinamismo, produção
de bens e serviços importantes para a sociedade como um todo.
O presente trabalho pretende fazer uma análise da relação entre as
empresas multinacionais e os Estados nacionais.
Serão analisados os diversos enfoques teóricos existentes para a
questão.
Desenvolvimento
As empresas multinacionais são vistas por alguns, como instituições
positivas que vão além dos Estados nacionais, difundem a tecnologia e o
desenvolvimento entre países em desenvolvimento e geram uma rede de
interdependência entre os países. Outros,
por sua vez, consideram que as empresas multinacionais são predadoras
imperialistas e geram uma rede de dependência política e subdesenvolvimento por
onde passam.
As empresas multinacionais são atores com grande alcance por operarem em
escala global. Esses grupos ou tipo de
empresa operam em pelo menos dois países e controlam uma quantidade relevante
de ativos específicos (tecnologia, capital, capacidade gerencial, organização, mercadologia,
entre outros) que são recursos importantes de poder econômico e político. Trata-se, aqui, tanto das empresas que operam
no setor industrial, no de serviços, no setor primário, no setor financeiro como
os bancos e outras instituições financeiras não-bancárias. As empresas multinacionais são negócios com orientação
capitalista que buscam se redirecionar visando ao aproveitamento das melhores
oportunidades existentes no mercado global.
Apesar dos temores e das esperanças as empresas multinacionais cada vez
crescem mais. Algumas dessas empresas
são instituições extremamente poderosas com recursos superiores à maioria dos
Estados que compõe as Nações Unidas. Elas
integram a economia internacional de forma extensa, geram integração da
economia global e também interdependência comercial e financeira entre os Estados.
As empresas multinacionais são de grande
relevância para sociedade e conseqüentemente para os Estados. As multinacionais possibilitam a geração de
emprego, desenvolvimento de tecnologia, crescimento econômico, investimentos,
“existe muito pouca dúvida sobre a importância dos
investimentos das empresas multinacionais no processo de geração de riquezas
das nações-estado, como também do papel das nações-estado no sentido de
oferecer infra-estrutura social e física para que os objetivos estratégicos das
empresas multinacionais possam ser alcançados com sucesso. O grau de dependência das empresas
multinacionais nas políticas econômica das nações-estado pode ser visto como o
resultado da combinação dos seguintes fatores: localização geográfica, acesso
aos recursos naturais, tecnológicos e financeiros e relacionamento entre as
políticas internas e externas dos países destino e origem dos investimentos.”
(IGNÁCIO, 2007)
Segundo Gonçalves (2005) na história das relações internacionais há
vários exemplos de relações estreitas entre empresas multinacionais e seus
Estados de origem. Essas relações
significam que os Estados usam essas empresas como instrumento de influência
econômica para que venha alcançar objetivos políticos. As empresas, por sua vez, usam o Estado-nação,
como instrumento político (inclusive militar) para atingir determinados
interesses econômicos como o controle das fontes de matéria prima. Dessa forma, o Estado usa um instrumento
privado para alcançar um objetivo de interesse público, enquanto a empresa
multinacional usa um instrumento público para atingir um interesse privado. Essa relação não se restringe há setores que
têm alguma relevância estratégica, como o petróleo, mas é particularmente
evidente nesses setores. Os Estados mais
desenvolvidos industrial e tecnologicamente conseguem se reorganizar para lidar
com as vantagens tecnológicas e econômicas das empresas multinacionais.
Há diversas abordagens teóricas de buscam explicarem o fenômeno da
expansão das empresas multinacionais, mas nenhuma consegue explicar de forma
completa.
Quanto à natureza oligopolista das multinacionais duas teorias se
destacam. A primeira é a teoria do ciclo
do produto desenvolvida por Raymond Vernon. Esta teoria busca explicar o motivo pelo qual um
novo produto surge especificamente num determinado país, e que fatores
contribuem para que, após esse produto atingir certo grau de desenvolvimento, a
empresa que o produz tenda paulatinamente a localizar sua produção em outros países
que não o de origem. Assim, há em toda
parte instalação de fábricas para produzir o mesmo produto. Segundo a teoria do
ciclo do produto o investimento é integrado horizontalmente. A segunda é a teoria da organização industrial
baseada na integração vertical. Essa
teoria se aplica ao novo multinacionalismo onde os investimentos são
verticalmente integrados, ou seja, a produção em algumas fábricas que serve de
insumo para outras fábricas da mesma empresa. (GILPIN, 2002)
O crescimento das multinacionais de forma vertical tem obtido mais
sucesso devido a três fatores. Primeiramente, a integração vertical das
diversas fases do negócio possibilita a redução os custos envolvidos no
processo produtivo. As empresas buscam
manter todos os aspectos da produção sobre seu controle. Em segundo lugar, devido aos crescentes custos
necessários a pesquisa e desenvolvimento as empresas buscam manter sobre o seu
controle, por maior tempo possível, o monopólio na produção itens por elas desenvolvidos.
Em terceiro lugar, devido à melhoria dos transportes e das
comunicações é possível a expansão dos
negócios para outros países distantes. Essa expansão leva ao predomínio de
oligopólios da economia internacional nas economias nacionais por meio da
formação de uma rede empresarial complexa e sofisticada. A estratégia de integração vertical das
empresas multinacionais consiste em distribuir as fases da produção em diversos
países. Essa estratégia visa aproveitar
os custos de produção mais baixos e benefícios fiscais disponível nos países de
industrialização recente. Dessa forma,
cresce o comércio intrafirma. (GILPIN, 2002)
O crescimento vertical pode representar
problemas aos países
hospedeiros, uma vez
que, abre-se a possibilidade dos Estados nacionais usarem
suas multinacionais para realizar seus objetivos de política externa. Muitos setores da sociedade, como os
sindicatos, consideram que o investimento externo direito como uma ameaça aos
seus interesses. Os países hospedeiros
também temem que a atuação das empresas multinacionais possa ser prejudicial a
seus próprios interesses econômicos, políticos ou de qualquer outra natureza.
O choque entre as empresas multinacionais e os países hospedeiros tem
sido mais intenso nas economias desenvolvidas. Críticos individuais e autoridades nacionais
têm apresentado acusações contra a conduta das empresas internacionais,
apresentam sua atuação como negativa aos interesses, ao bem-estar econômico e
ao desenvolvimento do Estado hospedeiro.
As acusações levantadas contra as empresas multinacionais recaem sobre
diversas categorias. No ponto de vista
econômico, os investimentos diretos estrangeiros são vistos como instrumento de
distorção da economia e da natureza do desenvolvimento econômico dos países
periféricos. Alega-se que as
multinacionais geram um desenvolvimento dependente, que não possibilita o
desenvolvimento local. As empresas
multinacionais também são acusadas de inibir o desenvolvimento de tecnologia
nacional. Por serem incisivas em capital
e tecnologia, as multinacionais geram desemprego e não possibilitam a
transferência de tecnologia aos países menos desenvolvidos. Além disso, muitos afirmam que o investimento
direto estrangeiro agrava a má distribuição de renda e inibe o crescimento do
empresariado local.
No ponto de vista político, as empresas multinacionais exigem dos
governos locais, simpáticos ao capitalismo, o desenvolvimento dependente que
estimula a criação de aliança entre o capitalismo internacional e as elites
nacionais reacionárias. Dessa forma, os governos têm de ceder às exigências das
multinacionais. No ponto de vista
cultural, a herança cultural das empresas estrangeiras se caracteriza por uma
forma de imperialismo cultural, na qual os países em desenvolvimento perdem
controle sobre a própria identidade cultural. As empresas estrangeiras introduzem, por meio
de publicidade, novos valores e demanda por novos produtos diferentes aos da
cultura local.
O novo multinacionalismo
No ponto de vista do novo multinacionalismo o regime dos investimentos
dos internacionais está sendo moldado
por negociações entre empresas individuais, governos de origem e governos
hospedeiros. O resultado dessa interação
é uma estrutura complexa de relações entre as empresas e os governos que
projeta para o futuro um novo tipo de relação.
A disputa entre os países por pelo capital e tecnologia é intensa. Os
países menos desenvolvidos buscam diferenciar-se cada vez mais na sua
capacidade de atrair investimentos estrangeiros. A instabilidade política e
econômica levou as multinacionais a diversificarem seus investimentos. A
relutância cada maior dos banqueiros em emprestar aos países subdesenvolvidos
devido as suas dívidas acumuladas. Com isso acentua-se a tendência de
desenvolvimento desigual o que levou muitos países a recusar o acesso das
multinacionais.
Nesse contexto, podemos observar algumas tendências: crescente
importância dos investimentos diretos estrangeiros em especial os “verticais”
(a produção é dividida por diversos países); expansão das alianças entre
empresas de diferentes países; e importância dos intermediários fabricados de
outros países. As empresas multinacionais passam a produzir-nos de
industrialização recente devido as barriras tarifárias dos países avançados.
A racionalização global da produção internacional atribuiu importância
crescente às alianças entre as multinacionais e os suprimentos estrangeiros. O
papel dos países de industrialização recente cresce no processo de
internacionalização da produção por meio de diversos mecanismos.
Os teóricos vêem o impacto das empresas multinacionais dos paises
periféricos de diferentes perspectivas. Os
liberais, em geral, vêem as empresas multinacionais como uma forma de levar o
crescimento econômico aos países periféricos. A teoria da dependência, por sua vez, vê as
empresas multinacionais como algo negativo. Para os mercantilistas modernos o investimento
direto estrangeiro realizado pelas empresas multinacionais pode ser uma forte
fator modernizados, mas depende do contrapeso da indústria local e da
supervisão do governo hospedeiro. (JACKSON, 2007)
Considerações Finais
As empresas multinacionais são atores de grande importância no contexto
das relações internacionais e das economias nacionais. Essas empresas atuam dentro da lógica
capitalista e buscam maximizar o seu lucro por meio da internacionalização,
buscam se estabelecer em países que lhes fornece maiores incentivos e isenções
fiscais. Com isso, gera-se uma realidade
na qual os Estados devem buscar conduzir de forma a obter maiores benefícios.
Há muito receio de que as empresas multinacionais venham a diminuir o
poder dos Estados e, por vezes, venham a ameaçar a sua sobre vivência. Embora esse perigo seja real, a existência das
multinacionais cada vez se consolida mais. Os Estados hospedeiros, para se proteger, buscam
estabelecer uma política industrial que busque minimizar os aspectos negativos
da presença das empresas multinacionais em seu território.
Referências bibliográficas
GILPIN, Robert. A
Economia Política das Relações Internacionais. Brasília: Ed. UnB, 2002.
GUEDES, Ana Lúcia. Repensando a nacionalidade das empresas
transnacionais. Rev. Sociol. Polít.,
Curitiba, v. 14, p. 51-60, jun. 2000.
IGNÁCIO, Edílson Antônio; SILVA, Gibson Zucca da. Contrições
sobre o relacionamento entre as empresas multinacionais e as nações-estado. Revista de Ciências Gerenciais da
Anhanguera Educacional, v. 11, n. 13, 2007.
JACKSON, Robert; SORENSEN, George. Introdução às Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
GONÇALVES, Reinaldo. Economia
Política Internacional: fundamentos teóricos e as relações internacionais
do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
As três hegemonias do capitalismo histórico - Giovanni Arrighi
ARRIGHI, Giovanni. As três
hegemonias do capitalismo histórico. In. GILL, Stephen (org.) Gramsci, materialismo histórico e relações
internacionais. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2007.
O declínio dos Estados Unidos como potência inspirou
os estudos sobre ascensão e declínio de hegemonias. A maioria desses estudos baseia-se no
conceito de inovação e liderança. O
conceito gramsciano de hegemonia pode contar a história da ascensão e queda de
uma potência mundial. Segundo Gramsci, hegemonia é entendida como poder de um
Estado de exercer funções governamentais sobre um sistema de Estados soberanos,
não se trata de domínio e sim de exercício de liderança. Nesse contexto há uma
combinação entre consentimento e coerção.
As hegemonias mundiais são produtos do moderno sistema
interestados surgido com o fim do sistema de governo medieval europeu. Tanto o sistema de governo medieval como o
moderno são anárquicos, ou seja, são segmentados.
As relações no sistema medieval eram baseadas nas
relações senhor/vassalo. O sistema moderno, por sua vez, institucionaliza a
autoridade pública de domínios jurisdicionais mutuamente exclusivos. Essa
evolução se deu associada ao desenvolvimento global do capitalismo como forma
de acumulação. Com o desenvolvimento do
capitalismo, estados e empresas se segmentam para competir pelo capital. Esse processo se desenvolve dentro de duas
lógicas a capitalista e a territorialista.
Para os territorialistas o poder é expresso pelo número de habitantes de
seus domínios e a riqueza vista como subproduto dessa expansão. Já os capitalistas vêem o poder como extensão
de seu controle sobre recursos e as aquisições territoriais como
subproduto. Da dialética entre essas
duas lógicas é que nasce o moderno sistema interestados.
As cidades-estados da Itália tinham as características
do moderno sistema interestados: sistema capitalista da guerra e de construção
do Estado; o funcionamento do “equilíbrio de poder”; transformar as relações
salário-trabalho em “indústria de produção de proteção”, isto é, realização da
guerra e construção do Estado; e os governantes assumirem a liderança no
sentido de construir redes de diplomacia residencial. Essas características
criaram uma extraordinária concentração de riqueza e poder nas mãos das oligarquias
que governavam as cidades-Estado do norte da Itália.
Estados territorialistas investem em guerra para
conquista territorial como meio de obter riquezas e poder. A luta territorial
fortaleceu os Estados embora as conquistas territoriais sejam improváveis. A
luta pelo poder na Europa gerou técnicas sofisticada de construção do Estado e
realização da guerra para subjugar Estados e povos não-europeus, como
conseqüência houve intensificação do conflito social e a desintegração das
redes transeuropeias de comércio. A Espanha, que no séc. XVI tinha poder dentro
e fora da Europa, aliada a casa de Habsburgos não conseguiram deter o caos que
criou as condições para o surgimento da hegemonia holandesa e o termino do
sistema medieval.
As Províncias Unidas lideraram o processo de liquidação
do poder medieval em coalizão com Estados dinásticos. Com o avanço do caos da
Guerra dos Trinta Dias a Holanda consegue cada vez mais aliados para sua
proposta de um novo sistema de poder até que a Espanha fica isolada. Com a paz
de Westfália em 1648, nasceu um novo sistema de poder. O propósito do sistema
de Westfália era de que os estados formassem um sistema de político mundial
baseado no direito internacional e no equilíbrio de poder, além disso, tinha
propósito social de tolerância religiosa e restauração da liberdade de
comercio. A reorganização do espaço político de acordo com os interesses da
acumulação de capital marca o início do sistema interestados e o capitalismo
como sistema mundial. A riqueza e o poder da Holanda baseavam-se em redes
comercias e financeiras formadas pelos impérios coloniais além-mar.
A mudança do sistema mundial se deu com a Holanda no
séc. XVII e não com Veneza no séc. XV por diversas razões: a oligarquia
holandesa na política européia e mundial foi maior do que a de Veneza; o
conflito entre os interesses da oligarquia capitalista holandesa e os interesses
das autoridades do sistema de governo medieval foram mais determinantes do que
os conflitos com Veneza; as aptidões da oligarquia capitalista holandesa de realização
da guerra ultrapassavam de muito aquelas da oligarquia veneziana; e as possibilidades
de construção do Estado da oligarquia capitalista holandesa eram muito maiores
do que aquelas da oligarquia veneziana.
A vitória contra Holanda nos conflitos posterior a paz
de Westfália levaram a supremacia mundial da Inglaterra e França. As guerras traziam cada vez menos benefícios
o que levou o investimento para outras atividades na qual a Grã-Bretanha tinha
vantagem relativa decisiva. A nova organização político-econômica mundial teve
três componentes: colonialismo de povoamento, escravismo capitalista e
nacionalismo econômico.
A expansão ultra marina inglesa aumentava a pressão
sobre os Estados da Europa continental. Na transição para hegemonia inglesa os
súditos tinham mais autonomia.
A nova onda de rebelião tinha origem na luta anterior
pelo Atlântico. O Reino Unido tornou-se hegemônico porque liderava no início um
leque amplo de forças dinásticas. Ao
contrário das Províncias Unidas, o Reino Unido governou o sistema interestados,
organizou o sistema para comandar as novas realidades de poder. Assim, surgiu o imperialismo de livre-comércio
em três níveis de análise inter-relacionados: o sistema interestados inclui
mais Estados ao passo que o equilíbrio chegou a operar acima deles;
desintegração dos impérios coloniais do mundo ocidental acompanhada da expansão
de impérios no mundo não-ocidental; e a expansão e a suplantação do sistema
westfaliano encontraram expressão num instrumento novo de governo mundial.
No imperialismo de livre comercio as leis que operam
dentro e entre os Estados estava sujeitas à autoridade do mercado mundial.
De 1776-1848 as revoluções Americana e Industrial
aumentaram a capacidade inglesa de satisfazer a demanda por riquezas. A
internacionalização da burguesia inglesa encabeçou o movimento que reformou as
estruturas de representação do Estado britânico.
No final do Séc. XIX o Reino Unido começou a perder
controle do equilíbrio de perder na Europa e no mundo. A ascensão alemã e
norte-americana diminuiu a capacidade inglesa. Em termos territoriais os
Estados Unidos tinham mais vantagens que a Alemanha. O envolvimento alemão
levou ao seu enfraquecimento. A Primeira
Guerra Mundial fez surgir movimentos sociais contra o imperialismo de livre-comércio.
Assim, a guerra entre as grandes potências estava fadada a ter um impacto contraditório
nas relações governante-súdito. A partir da Primeira Guerra surgiram diversos
movimentos sociais, sendo o mais marcante a Revolução Soviética de 1917. Do
confronto entre a facção dominante e a facão recém-chegada culminou
desintegração completa do mercado mundial violações ao sistema
westfaliano.
Os Estados Unidos se tomaram dominantes buscando
restaurar o sistema wesfaliano e depois passaram a governar o sistema
restaurado. Com o termino da luta entre as forças conservadoras e reacionárias
culminou no aumento do poder mundial tanto dos Estados Unidos quanto da União
Soviética dando início a reconstrução do sistema interestados no sentido de
acomodar as demandas dos não-ocidentais. Depois da Segunda Guerra Mundial foi
garantido a todos os Estados o direito a autodeterminação. A hegemonia inglesa expandiu o sistema
interestados para democratização do nacionalismo e a hegemonia norte-americana
completou essa expansão ao proletarizar o nacionalismo.
O que fez as Províncias Unidas, o Reino Unido e os
Estados Unidos serem hegemônicos não foi o poder militar e econômico e sim suas
capacidades resolver problemas que geravam conflito no sistema mundial. As hegemonias mundiais têm num sistema que
elas próprias criaram expandiram e superaram. Com isso, as condições de
ascensão e declínio das hegemonias mundiais mudaram de uma hegemonia para a
seguinte em aspectos significativos. Cada Estado hegemônico posterior foi menos
capitalista que o anterior, entretanto, o sistema interestado se tornou mais
capitalista porque mais Estados passaram
a seguir a lógica capitalista.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Mario Vargas Llosa - Por trás das leis deve existir uma certa moral
Nesse vídeo Mario Vargas Llosa fala da legitimidade das leis, consequentemente na influência da moral e da religiosidade na validade da legislação. Cumprir as leis é uma questão de moralidade.
http://www.youtube.com/watch?v=70D32j4oeh0&feature=youtu.be
Coerção, capital e Estados europeus 990-1992.
Resenha
TILLY, Charles. Coerção, capital
e Estados europeus 990-1992. São Paulo: EdUSP, 1996. Cap. 1 e 3.
Na definição de Tilly os Estados são organizações que aplicam
coerção em famílias e outras organizações, esse conceito abrange
cidades-estado, impérios, teocracias e outras formas de governo. Ao longo da
história, poucos foram os Estados-nação.
Após a Segunda Guerra Mundial toda a superfície da terra passou a ser
ocupado por Estados que se reconhecem mutuamente. As populações que não formam Estados distintos
e os blocos de Estados são movimentos contrários a essa situação.
Os Estados foram sistemas à medida que interagem entre si e que a
sua interação afeta significativamente o destino de cada parceiro. Os Estados sempre se desenvolvem a partir da
luta pelo controle de território e população, portanto aparecem invariavelmente
em aglomerados e costumam formar sistemas.
A explicação para a grande variação temporal e espacial dos tipos de
estado na Europa depois de 990 d. C. está nas mudanças econômicas e nos fatores
externos ao Estado.
A maioria dos estudiosos da formação do Estado adotou uma perspectiva
estatística, que considera a transformação de qualquer estado particular como o
resultado de eventos não econômicos dentro de seu próprio território. Já na
perspectiva geopolítica, o sistema internacional é o grande formador do Estado
em seu próprio território. As análises
do Estado pelo modo de produção, por sua vez, seguem a lógica da organização da
produção na qual o Estado está envolvido na geração e distribuição de
mais-valia quando procura manter seu poder e riqueza. Outra visão caracteriza a formação do Estado
na economia do globo. No entanto,
nenhuma dessas linhas propicia um conjunto satisfatório de respostas à formação
dos Estados europeus.
No argumento de Tilly a história diz respeito ao capital e à coerção. Os
Estados refletem a organização da coerção e também mostram os efeitos do
capital, essa combinação produz tipos distintos de Estado.
A guerra induz a formação e transformação do Estado. A extração e a luta
pelos meios de guerra criaram as estruturas organizacionais centrais dos
Estados. As formas de organização dos Estados variaram da entre coerção e capital,
de modo que, os Estados seguiram claramente trajetórias diferentes. Com o
passar do tempo, a guerra e a preparação para a guerra produziam os principais
componentes dos Estados europeus. Os Estados que perderam guerras comumente se
contraíram, e muitas vezes deixaram de existir. Antes de sua recente
convergência, as trajetórias de imensa aplicação de coerção, de grande inversão
de capital e de coerção capitalista conduziram a tipos muito diferentes de
Estado.
O modelo de Estado conta com os seguintes elementos: um governante
(tomador de decisão), uma classe dirigente (controle dos meios de produção do
território); opositores, inimigos rivais do Estado; o restante da população,
aparelho coercivo e o aparelho civil. Os
mecanismos pelos quais os governantes adquiriram os meios de executar as suas
atividades essenciais – sobretudo a criação da força armada – e o envolvimento
desses mecanismos na estrutura do Estado são vistas nas principais mudanças da
guerra, na estrutura política e na luta doméstica.
A criação de forças armadas por um governante gerou uma estrutura de
Estado duradoura. A guerra impulsionou
os Estados, mas não exauriu a sua atividade. Ao contrário, com os preparativos
para a guerra, os governantes deram início, de uma forma ou de outra, a
atividades e organizações que acabaram por adquirir vida própria, tais como:
tribunais, tesouros, sistemas de tributação, administrações regionais,
assembleias públicas e muitos outros. A guerra teceu a rede europeia de Estados
nacionais, e a preparação da guerra criou as estruturas dos Estados situados
dentro dessa rede.
Com uma nação em armas, o poder de extração do Estado cresceu
enormemente, como também aumentaram as reivindicações dos cidadãos ao seu
Estado. Embora um chamado para defender a pátria mãe tenha estimulado um apoio
extraordinário aos esforços de guerra, a dependência da conscrição em massa, da
tributação confiscatória e da conversão da produção para as finalidades da
guerra tornou todo Estado vulnerável à residência popular e responsável pelas
reivindicações populares, como nunca ocorrera antes.
sábado, 2 de março de 2013
Resenha - consequencias da modernidade
GIDDENS,
Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Editora UNESP,
1991.
Capítulo
I – Introdução
Modernidade refere-se ao estilo de
vida ou organização social que emergiu na Europa a partir do século XVII e que se
tornando mundial em sua influência. Mas, esse conceito é restrito no tempo e no
espaço. No final do século XX, aponta-se para um novo sistema social no qual os
desafios vão para além da modernidade, a pós-modernidade, que se caracteriza pela
pluralidade do conhecimento, sem a primazia da ciência. No entanto, antes de se
criar novos termos, é prudente fazer uma análise da natureza da modernidade, a
qual tem sido pouco abrangida pelas ciências sociais.
A análise de Giddens tem seu
ponto de origem na interpretação "descontinuísta" do desenvolvimento
social moderno. Os modos de vida da modernidade não têm precedentes, as rápidas
mudanças nos últimos séculos são de forte impacto. A narrativa evolucionária
ajuda a elucidar a tarefa de analisar a modernidade e muda o foco de parte do
debate pós-moderno. As características das descontinuidades que levaram a
modernidade são ritmo de mudança, escopo da mudança e natureza intrínseca das
instituições modernas.
No debate da modernidade, as
contraposições da segurança versus perigo e da confiança versus risco é
um fenômeno de dois gumes. Se, por um lado, a segurança na modernidade é maior
que no período anterior, por outro, foi uma era turbulenta que gerou trabalho
industrial moderno, totalitarismo e desenvolveu o poder militar. Há três concepções que inibem uma análise satisfatória das
instituições modernas: diagnóstico institucional da modernidade (o capitalismo
para Marx, posição critica por Durkheim e Weber),
a análise da “sociedade” e as conexões entre conhecimento sociológico e as
características da modernidade. A
compreensão da modernidade deve contemplar seu extremo dinamismo, caráter
globalizante das instituições modernas e compreender as descontinuidades das
culturas tradicionais.
A separação entre tempo e espaço
é importante na modernidade como condição do processo de desencaixe (aumento da
distância entre o espaço e o tempo); por proporcionar engrenagens para o traço
distintivo da vida social moderna, a organização racionalizada; e na formação
de uma estrutura histórico-mundial. O desenvolvimento de mecanismos de
desencaixe retira a atividade social dos contextos localizados, reorganizando
as relações sociais através de grandes distâncias tempo-espaciais. Há dois
tipos de mecanismos de desencaixe nas instituições sociais modernas: as fichas
simbólicas (p. ex. o dinheiro) e os sistemas peritos. Esses mecanismos dependem
da confiança que implica em um estado contínuo da ação dos indivíduos, sendo um
tipo específico de crença.
Na modernidade, a reflexividade é
introduzida na base da reprodução do sistema, de forma que o pensamento e a ação
se relacionam entre si. As práticas sociais são examinadas e reformuladas a
partir da informação auto-revelada conduzindo à sua alteração. O conhecimento,
em ciências naturais e sociais, não é mais saber, o que é o certo. A
reflexividade abrange as ciências naturais, a economia e a vida social moderna
(estatísticas oficiais). A reflexividade da modernidade, que está diretamente
envolvida com a contínua geração de autoconhecimento sistemático, não
estabiliza a relação entre conhecimento perito e conhecimento aplicado em ações
leigas. O conhecimento reivindicado por observadores peritos reúne-se a seu
objeto, deste modo alterando-o.
A pós-modernidade significa que a
trajetória do desenvolvimento social se afasta das instituições da modernidade
em direção uma nova ordem social. O pós-modernismo, se é que ele existe de
forma válida, pode exprimir uma consciência de tal transição.
Capítulo 2 - As Dimensões
Institucionais da Modernidade
A sociedade capitalista conta com
características institucionais específicas: competitividade, expansionismo, isolamento
de outros setores sociais, propriedade privada dos meios de produção, autonomia
do estado que é condicionada pela acumulação do capital. A sociedade
capitalista está circunscrita ao estado-nação, que é interpretado pelo controle
que ele consegue sobre territórios delimitados.
As quatro dimensões
institucionais básicas da modernidade são o capitalismo (acumulação do capital
no contexto de trabalho e mercados de produtos competitivos), industrialismo
(transformação da natureza), poder militar (controle dos meios de violência no
contexto da industrialização e da guerra) e vigência (controle da informação e
supervisão social). A força de trabalho constitui um ponto de conexão entre
capitalismo, industrialismo e a natureza do controle dos meios de violência. O
capitalismo aliado ao sistema de estado-nação foram os elementos institucionais
promovem a aceleração e a expansão das instituições modernas. A separação da
modernidade das ordens tradicionais se acelerou e intensificou graças às
dimensões institucionais da modernidade.
A modernidade é inerentemente
globalizante, esse processo de alongamento ocorre por conexão entre diferentes
regiões ou contextos sociais se enredaram envolvendo todo planeta. A
globalização promove a transformação local por meio de conexões sociais através
do tempo e do espaço. As discussões da globalização tendem a aparecer em dois
corpos de literatura: a das relações internacionais e a teoria do "sistema
mundial" associada a Immanuel Wallerstein. Para os teóricos das relações
internacionais os estados-nação são atores, envolvem-se na arena internacional
em conjunto com organizações transnacionais.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Resenha - A consciência de tempo da modernidade e sua necessidade de autocertificação.
HABERMAS,
Jürgen. A consciência de tempo da modernidade e sua necessidade de
autocertificação. In. _____. O Discurso Filosófico da Modernidade: doze
lições. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
Habermas é um adepto convicto do
projeto da Modernidade e um adversário da Pós-modernidade, tanto em seu aspecto
político como também estético. No primeiro capítulo do seu livro Discurso
Filosófico da Modernidade, Habermas aborda o processo de consolidação
filosófica da Modernidade.
Max Weber relaciona modernidade
com o racionalismo ocidental, sendo racional a cultura profana e o
desenvolvimento de sociedades modernas. A cristalização da empresa capitalista
e da burocracia estatal produz a racionalização que modifica os modos de vida.
A teoria da modernidade abstrai o conceito weberiano de modernidade e
desvincula-se da racionalidade. A expressão “pós-moderno” foi desenvolvida nos
anos 50 e 60, no entanto os processos de modernização prosseguem longe do
observador pós-moderno. A pós-modernidade apresenta-se em duas teses distintas:
neoconservadora e anarquista.
Habermas adverte que se deve
analisar a obra de Hegel para entender a relação entre modernidade e
racionalidade e julgar a legitimidade de outras premissas. A modernidade, a
emergência do conceito de “nova era” e temps moderns por volta de 1800,
envolveu uma nova consciência de tempo e a criação de uma mentalidade, baseada
nos eventos revolucionários tais como Renascença, Reforma e descoberta do novo
mundo. Esse lançamento para o mundo na época moderna começou um deslocamento do
estético padrão da antiguidade e encontra sua sumarização na subjetividade, o
direito à crítica, autonomia de ação e filosofia idealística. Para Baudelaire,
a experiência estética confundia-se, nesse momento, com a experiência histórica
da modernidade.
Hegel foi o primeiro a
problematizar filosoficamente o desligamento da modernidade do passado e a
considerar o movimento da história como a realização da idéia de autoconsciência.
De forma geral, Hegel vê como característica dos tempos modernos a auto-relação
que ele denomina subjetividade por meio da liberdade e da reflexão. As suas
concepções da subjetividade são individualismo, direito de crítica, autonomia
de ação e filosofia idealista. Na modernidade, a vida religiosa, o Estado, a
sociedade, a ciência, a moral e a arte transformam-se igualmente em
personificações do princípio da subjetividade. A esfera do saber se isola da
esfera da fé e as relações sociais organizam juridicamente o convívio
cotidiano, isso compreenderá o princípio da modernidade.
O entendimento da filosofia de
Kant como auto-interpretação só é possível por meio da visão de Hegel. Kant não
considera como cisões as diferenciações no interior da razão e consequentemente
ignora a necessidade que se manifesta com as separações impostas pelo princípio
da subjetividade. Para Hegel, a razão deve superar as cisões da subjetividade.
Por meio de sua critica a Kant e Fichte, Hegel busca a autocompreensão da
modernidade que neles exprime.
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