sábado, 2 de março de 2013

Resenha - consequencias da modernidade


GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Editora UNESP, 1991.

 

Capítulo I – Introdução

 

Modernidade refere-se ao estilo de vida ou organização social que emergiu na Europa a partir do século XVII e que se tornando mundial em sua influência. Mas, esse conceito é restrito no tempo e no espaço. No final do século XX, aponta-se para um novo sistema social no qual os desafios vão para além da modernidade, a pós-modernidade, que se caracteriza pela pluralidade do conhecimento, sem a primazia da ciência. No entanto, antes de se criar novos termos, é prudente fazer uma análise da natureza da modernidade, a qual tem sido pouco abrangida pelas ciências sociais.

A análise de Giddens tem seu ponto de origem na interpretação "descontinuísta" do desenvolvimento social moderno. Os modos de vida da modernidade não têm precedentes, as rápidas mudanças nos últimos séculos são de forte impacto. A narrativa evolucionária ajuda a elucidar a tarefa de analisar a modernidade e muda o foco de parte do debate pós-moderno. As características das descontinuidades que levaram a modernidade são ritmo de mudança, escopo da mudança e natureza intrínseca das instituições modernas.

No debate da modernidade, as contraposições da segurança versus perigo e da confiança versus risco é um fenômeno de dois gumes. Se, por um lado, a segurança na modernidade é maior que no período anterior, por outro, foi uma era turbulenta que gerou trabalho industrial moderno, totalitarismo e desenvolveu o poder militar. Há três concepções que inibem uma análise satisfatória das instituições modernas: diagnóstico institucional da modernidade (o capitalismo para Marx, posição critica por Durkheim e Weber), a análise da “sociedade” e as conexões entre conhecimento sociológico e as características da modernidade.  A compreensão da modernidade deve contemplar seu extremo dinamismo, caráter globalizante das instituições modernas e compreender as descontinuidades das culturas tradicionais.

A separação entre tempo e espaço é importante na modernidade como condição do processo de desencaixe (aumento da distância entre o espaço e o tempo); por proporcionar engrenagens para o traço distintivo da vida social moderna, a organização racionalizada; e na formação de uma estrutura histórico-mundial. O desenvolvimento de mecanismos de desencaixe retira a atividade social dos contextos localizados, reorganizando as relações sociais através de grandes distâncias tempo-espaciais. Há dois tipos de mecanismos de desencaixe nas instituições sociais modernas: as fichas simbólicas (p. ex. o dinheiro) e os sistemas peritos. Esses mecanismos dependem da confiança que implica em um estado contínuo da ação dos indivíduos, sendo um tipo específico de crença.

Na modernidade, a reflexividade é introduzida na base da reprodução do sistema, de forma que o pensamento e a ação se relacionam entre si. As práticas sociais são examinadas e reformuladas a partir da informação auto-revelada conduzindo à sua alteração. O conhecimento, em ciências naturais e sociais, não é mais saber, o que é o certo. A reflexividade abrange as ciências naturais, a economia e a vida social moderna (estatísticas oficiais). A reflexividade da modernidade, que está diretamente envolvida com a contínua geração de autoconhecimento sistemático, não estabiliza a relação entre conhecimento perito e conhecimento aplicado em ações leigas. O conhecimento reivindicado por observadores peritos reúne-se a seu objeto, deste modo alterando-o.

A pós-modernidade significa que a trajetória do desenvolvimento social se afasta das instituições da modernidade em direção uma nova ordem social. O pós-modernismo, se é que ele existe de forma válida, pode exprimir uma consciência de tal transição.

 

Capítulo 2 - As Dimensões Institucionais da Modernidade

 

A sociedade capitalista conta com características institucionais específicas: competitividade, expansionismo, isolamento de outros setores sociais, propriedade privada dos meios de produção, autonomia do estado que é condicionada pela acumulação do capital. A sociedade capitalista está circunscrita ao estado-nação, que é interpretado pelo controle que ele consegue sobre territórios delimitados.

As quatro dimensões institucionais básicas da modernidade são o capitalismo (acumulação do capital no contexto de trabalho e mercados de produtos competitivos), industrialismo (transformação da natureza), poder militar (controle dos meios de violência no contexto da industrialização e da guerra) e vigência (controle da informação e supervisão social). A força de trabalho constitui um ponto de conexão entre capitalismo, industrialismo e a natureza do controle dos meios de violência. O capitalismo aliado ao sistema de estado-nação foram os elementos institucionais promovem a aceleração e a expansão das instituições modernas. A separação da modernidade das ordens tradicionais se acelerou e intensificou graças às dimensões institucionais da modernidade.

A modernidade é inerentemente globalizante, esse processo de alongamento ocorre por conexão entre diferentes regiões ou contextos sociais se enredaram envolvendo todo planeta. A globalização promove a transformação local por meio de conexões sociais através do tempo e do espaço. As discussões da globalização tendem a aparecer em dois corpos de literatura: a das relações internacionais e a teoria do "sistema mundial" associada a Immanuel Wallerstein. Para os teóricos das relações internacionais os estados-nação são atores, envolvem-se na arena internacional em conjunto com organizações transnacionais.

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